segunda-feira, 23 de maio de 2016

Nostalgia e saúde mental

Hoje eu resolvi escrever, faz algum tempo que não sento pra tentar organizar minhas idéias e expor meus pensamentos. Já fiz e refiz mil textos, alguns poemas e até músicas, mas eu estava muito machucada pra escrever. Este vai ser mais um longo e complicado texto, super íntimo, então se você estiver lendo, pode se considerar meu amigo/a.

Bem, aqui no meu mundinho, eu já postei um outro texto expondo algumas dificuldades que eu vinha passando, e a realidade é que desde 2013 eu tenho passado por consecutivos problemas 'grandes', desde engordar demais até a quase perder familiares, mudar de cidade e passar por graves situações financeiras. Em resumo, eu me assustei com tudo e acabei adoecendo psicologicamente, e no mês passado, mais precisamente em março de 2016 eu quase me entreguei de vez.

Eu realmente não quero entrar em detalhes, mas eu preciso desabafar de algum jeito, haja vista que estou calada ha muito tempo e já me sinto bem pra ao menos escrever sobre isso. Há algum tempo meu namoro acabou, eu digo há algum tempo porque mesmo antes de nos separarmos fisicamente, o namoro já tinha acabado. O problema é que depois de passar tanto tempo junto, é difícil dizer adeus, principalmente quando se decide morar junto, né? Mas pra fechar o único parágrafo que quero dedicar a isso, queria comentar que não foi o término oficial que me deixou tão quebrada. Quando quem morava comigo foi embora, com as malas e com a certeza de não voltar, eu fiquei quieta, fiquei calada e chorei sozinha, por que não queria envolver ninguém num momento tão particular e doloroso, porém enquanto eu chorava sozinha no meu quarto comecei a receber mensagens de familiares e amigos meus, perguntando o porque do meu ex estar indo embora, e naquele momento, nem eu sabia. Tres semanas depois tive uma conversa com meu pai, onde fiquei sabendo que todos meus familiares, amigos e amigos de amigos havia recebido vária mensagens do meu ex, mensagens lamuriosas me acusando de traição, meu pai até me contou que ele sabia de toda minha vida entre íntima, pois ele havia recebendo mil mensagens reveladoras. Eu sei que eu não deveria estar escrevendo nada aqui, provavelmente eu exclua essa parte do texto, mas eu precisava escrever como eu fiquei mal vista e como eu fui traída, fora isso houveram mais mil golpes desferidos em mim, que já tinha sido abandonada sozinha e desempregada.

Mas saindo deste assunto feio e maldoso, eu queria dizer que eu recebi um conselho acima de todos que me deu forças e queria passá-lo pra frente: 
Sua saúde mental vem primeiro.
Eu queria pregar essa frase em todos os cantos da minha casa. Acontece que há muito tempo, muito mesmo, eu venho deixado de lado minha saúde mental e física. Este mês eu achei na casa do meu pai, minhas agendas antigas, foi um momento nostálgico mas foi um momento muito revelador. Na minha cabeça eu estava depressiva há dois anos, mas eu sempre me empurrei pro penhasco da tristeza. Eu sempre deixei minha saúde mental para as traças. Pelo teor dos meus textos antigos eu percebi que eu sempre cobrei demais de mim, sempre quis ser magra ~e eu era~, me alimentava mal pra não engordar, eu sempre me cobrei por não ter amigos, sempre me responsabilizei pelo divórcio dos meus pais, sempre me achei culpada pelo meu pai biológico não ter me criado, sempre me autoflagelei por não ser diferente, estilosa ou mesmo marcante pros outros. Foram 23 anos em conflito interno intenso, foram 23 anos morando num corpo que eu odiava e bombardando minha mente com pensamentos negativos. 

Eu realmente gastei tempo demais  tentando entrar numa forma imaginária na qual eu não cabia.


Agora, olhando pra trás eu percebo que os problemas que passei foram problemas cotidianos, eu só não tinha mais um psicológico forte pra aguentar tantos baques seguidos, eu estava fraca de tanto lutar sozinha contra meu eu de verdade. Ver todas aquela páginas de diários antigos, todas aquelas fotos, roupas, cartas... eu entrei num estágio de nostalgia mágico, fui levada pra dias diferentes, pude sentir cheiros, ver sorrisos e até sentir o salgado das milhares de lágrimas que eu derramei por não me amar de verdade. Eu precisei passar quase um mês trancada dentro do meu quarto, longe de tudo e todos pra saber que eu sou assim, e eu tenho que me amar, porque eu tenho qualidades e ela são lindas.

Eu sei que pra mulheres existe essa coisa de querermos abraçar o mundo e cuidar de tudo, menos da gente. Cuidar dos filhos, da casa, do emprego, da loja na internet, do namorado, a gente ás vezes não lembra que precisamos de cuidados além do que o corpo pede, e pra homens é tanta pressão pra ser o 'líder e responsável' que eles também se perdem no caminho. Hoje em dia, ser pleno é uma batalha diária.

Enfim, eu só queria dizer pra você que está lendo isso e pra mim no futuro

Abraça a sua dor, sente ela um pouco, chora mesmo. Mas volta lá atras no seu passado e lembra do que você é, lembra da sua essência, porque exterior tudo muda mas a sua essência é única. Sua saúde mental é mais importante do que qualquer coisa, você é importante. E você é importante sendo você, não sofra pra parecer algo que não existe, não se machuca pra agradar ninguém... Se ama, além de tudo a sua vida é essa, aproveita ela.
Depois de chorar muito, de emagrecer horrores, de me afastar de tudo eu estou pronta pra começar tudo de novo. Eu to pronta pra ser assim mesmo, bagunçada e amorosa, ser aquela que muda de opinião várias vezes ao dia, ser mal humorada ás vezes, não ter interesse em nada por mais de 48 horas, de cuidar de todo mundo ao meu redor, não ter um estilo definido e não pentear o cabelo, eu realmente me aceito e to feliz demais com isso, eu também estou pronta pra aceitar mudanças saudáveis, to pronta pra comer melhor, to pronta pra ler mais, to pronta pra crescer e perdoar todo mal que já me fizeram e de pedir perdão por tudo que já fiz, eu to pronta pra ser eu mesma, e nada que falem vai me fazer voltar pro poço que eu estava, nada.